Colheita de madeira

A Orientação Estratégica da Empresa Florestal no Brasil

Publicada em 19/03/2008

Artigo de Opinião

André Germano Vasquez

Eng. Florestal - Diretor da Holtz Consultoria Ltda
Email:agv@holtz.com.br

A orientação estratégica é fundamental e necessária para impor condição de resposta e manutenção da competitividade do negócio florestal.

A empresa de base florestal tem na sua rotina problemas de ordens variadas, notadamente questões pertinentes a necessidade da elaboração de um planejamento consistente, dadas as características de longo prazo na maturação do empreendimento florestal, o novo enfoque da madeira em toras como produto em um mercado crescente em demanda e notadamente ser uma atividade que compreende múltiplas áreas de desenvolvimento operacional como a silvicultura, o manejo florestal, a colheita e o transporte da madeira roliça.

Portanto, a compreensão do ambiente de negócios e a interpretação das variáveis que permitam alinhar o comportamento de uma organização para empreender prontidão às turbulências e reagir na medida necessária, combinando recursos e maximizando resultados, é a grande questão frente à realidade competitiva do mercado no século XXI.

Através da observação da realidade do setor florestal, as empresas de base florestal, e a necessidade do desenvolvimento do conhecimento a respeito das formas de gestão em relação ao comportamento do mercado consumidor de madeira em toras e de produtos florestais, ou seja, a ótica do planejamento estratégico, o direcionamento estratégico adotado, fica a questão: como as empresas estão se comportando estrategicamente?

Este entendimento passa por considerar a teoria de Porter, que em sua concepção de modelos de interpretação do comportamento reativo das empresas ao ambiente, ou seja, o fundamento e o conceito das estratégias genéricas, sendo essas: a liderança em custo; a diferenciação; e, o foco no cliente. Isto proporciona uma interpretação referencial de como o negócio, a empresa, ou até grupos de empresas e setores, posicionam-se quando o ambiente dinâmico, desafiador e turbulento os cerca.

Com a realização do levantamento pela pesquisa qualitativa e exploratória, foi composto um constructo analítico pela participação de 42 empresas florestais em um universo de 112 abordadas. Este processo utilizou de ferramentas matemáticas, notadamente a análise multivariada, pela aplicação da análise fatorial e complementação com a análise de agrupamentos, Cluster Analysis.

O grupo de empresas participantes consolidou representatividade do setor e em relação ao setor de atuação das empresas, ocorreu um equilíbrio entre o setor papel e celulose (34%), plantio, produção e comercialização de toras (30%) e produtores de madeira sólida (28%). Isto caracterizou o setor de forma bastante significativa.

Em relação à condição de comportamento estratégico, ao contrário que se imaginava, ou seja, que a atividade produtiva florestal, plantar, manejar e colher, é operacionalmente intensiva, o que recaí pela lógica de ter uma orientação estratégica para o baixo custo, ou a eficiência operacional, não foi verificada como a prática real. Entretanto, a avaliação criteriosa e por ferramentas matemáticas indicou o alinhamento estratégico genérico das empresas do setor florestal no Brasil como sendo pela estratégia genérica da diferenciação com tênue combinação com a estratégia genérica do foco. Este posicionamento é decorrente da expansão dos negócios florestais no Brasil e da cadeia produtiva da madeira como balizadora do ambiente operacional, a prática de gestão específica florestal tem considerado os aspectos estratégicos de forma mais relevante para dar consistência à sua administração. Portanto, é notório, que houve uma evolução do negócio florestal, o que permite ainda concluir que:

a) O alinhamento estratégico genérico do setor expressa o entendimento das necessidades de mercado, ou da cadeia produtiva, em termos de diferenciais de produtos;

b) A evolução histórica do setor florestal impôs às empresas e aos negócios florestais, independente de tamanho, área plantada ou setor de consumo vinculado, a necessidade de estabelecer formas de gestão com base na dinâmica de mercado;

As empresas florestais estão mais profissionalizadas, o que é notório e confirmado pelo direcionamento estratégico do setor, a estratégia genérica da diferenciação, caso isso não fosse o lapidador da qualidade de gestão, tão somente, a atividade como produtora de insumos florestais estaria atuando sob a égide da estratégia genérica do baixo custo, sem entender as exigências do mercado, não auferindo à realidade atual a competitividade existente.

Portanto, o posicionamento estratégico identificado estabelece a direta relação com o momento da empresa florestal brasileira, ou melhor, do setor florestal brasileiro, onde nas últimas duas décadas, a atividade específica de plantar, manejar e colher produtos e subprodutos florestais, tornou-se um negócio específico e com mercado ativo, crescente e exigente. Esta posição de evolução do caráter econômico da atividade florestal exige o posicionamento estratégico de forma a garantir o êxito da atividade, independente do vínculo com o processo verticalizado, pois o mercado de produtos florestais passou a exercer a influência sobre os negócios florestais de forma a atualmente provocar o alinhamento estratégico genérico da diferenciação. Isto com vistas a atender aos diversos requisitos de um mercado florestal requerente de multiprodutos oriundos da produção florestal.

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