Cadeia Produtiva da Madeira para Produção de Bio Redutor Renovável

Publicada em 2 de Setembro de 2009

Augusto Valencia Rodriguez
ArcelorMittal Florestas


Bio redutor renovável: essa é a nova demanda dos produtores de ferro gusa e aço, uma das atividades produtivas de maior importância para a economia e a sociedade brasileiras, engajados em novos conceitos de eficiência e sustentabilidade.

Com expressiva participação no custo do ferro gusa é fundamental a análise dos fatores que envolvem, desde a formação das florestas até a adoção de modernos modelos de produção industriais do insumo.

Bio redutor renovável procura colocar o carvão vegetal dentro do contexto moderno de uma cadeia produtiva sustentável, sobre uma nova visão de um produto de valor agregado ao ambiente, quando falamos, por exemplo, em uma alternativa real de retenção de carbono e redução das emissões dos gases de efeito estufa, reduzindo as emissões em cerca de 1,2 tonelada de gás carbônico por tonelada de gusa, quando se avaliam as duas rotas de produção (BRR x coque), a sociedade, do ponto de vista da geração de riquezas ao indivíduo e a coletividade e ao investidor independente, propiciando interessante retorno, quer no elo florestal, quer no produto final e, ao consumidor, que tem nele, um excelente produto do ponto de vista metalúrgico e de oferta competitiva.

Obviamente, não deixemos de lado volumes expressivos que são produzidos, não de bio redutor renovável, mas ainda do velho carvão vegetal, com base em explorações ilegais que ainda trazem em seu bojo, conseqüências nefastas ao meio ambiente e a própria cadeia produtiva do ferro gusa, arranhando a imagem de uma parte importante da nossa economia e da sociedade.

Com certeza haverá uma rápida reversão à medida que novos valores forem sendo incorporada a sociedade. Essa transformação já começou! Basicamente, existem duas modalidades de empreendimento florestal. Primeiramente, a partir das demandas dos consumidores tradicionais, verticalizados ou independentes e, mais recentemente, através da oferta de madeira reflorestada oriunda dos projetos de fomento, em diversas escalas. Isso leva a um balanço de oferta e consumo em que os novos atores ¿fazendeiros ou poupadores florestais¿ começam a participar no composto do suprimento das usinas. Este sistema de produção e oferta de matéria prima desloca o desequilíbrio na demanda, o chamado ¿apagão florestal?¿, que a princípio maximiza preços, para um novo ajuste na oferta, propiciando equilíbrio de preços, à medida que avança a área plantada. É importante estar atento, não só às estratégias de penetração da madeira reflorestada no agronegócio brasileiro, mas também, a todos os fatores envolvidos na cadeia produtiva que, em última análise, viabilizará sua continuidade.

É importante que estejamos atentos a determinados fatores impeditivos internos e externos, haja vista, a pujante competitividade que os produtos de base florestal vêm experimentando, de forma sustentada, nas últimas décadas no Brasil. No plano internacional, pode provocar certo ¿incômodo¿ aos participantes já tradicionais ou que também almejam fatias crescentes de mercado. A madeira reflorestada está inserida também, na recente discussão entre a produção de biocombustíveis e a escassez de alimentos, como ¿forças¿ antagônicas que terão que ser equilibradas, em detrimento das necessidades do ser humano pelas duas riquezas. Nota-se um avanço extraordinário no desenvolvimento de tecnologias e ¿produtos¿ energéticos de base orgânica que, certamente, terão que conviver com a base alimentar da população humana. No tocante ao valor da matéria prima para a produção de bio redutor renovável, voltemos aos seus dois sistemas básicos de oferta: empresas verticalizadas, com estruturas modernas e definidas de produção e abastecimento às usinas e, os novos parceiros, que iniciam a formação de suas florestas e as primeiras colheitas para comercialização.

O mercado ditará os preços, portanto os custos deverão estar em patamares compatíveis com a realidade de oferta e consumo. Destaque-se aqui o ¿colchão¿ que a cultura do eucalipto permite ao propiciar um ciclo de corte relativamente flexível entre 5 a 8 anos, dependendo dos fatores de produção, climáticos e de destinação da matéria prima, permitindo ao produtor florestal, margem de manobra em seus estoques. Processos de formação, condução e suprimento final, colheita e transporte em diferentes sistemas, levarão a custos e margens variáveis.

Portanto, há que se gerenciar estes custos de forma integrada, pois, apesar do efeito diferenciado de cada parcela na formação do custo, plantio, desenvolvimento da floresta, colheita, transporte e até o processamento, o produto deverá ter sua competitividade garantida. Ou seja, a formação dos custos de produção é diferenciada, conforme o sistema, porém, os resultados finais devem se mostrar sob certo equilíbrio. Exemplo disto está no grau de mecanização das atividades. Nas florestas industriais, a utilização de modernos e potentes equipamentos ocupam espaços cada vez mais significativos nos modelos operativos. Esforço tecnológico de anos foi dedicado para atingir altos níveis de eficiência na produção. Em contrapartida, pequenas propriedades com produção florestal variável, trazem outras particularidades quanto ao grau de mecanização que poderá ser viável: tamanho das glebas e volumes no tempo; dispersão geográfica; topografia; malha viária. Novas alternativas surgirão.

Finalmente, temos que estar alinhados aos nossos modelos de produção quer sejam próprios, nas ditas florestas industriais, quer seja nos nossos parceiros, pois, os desafios serão comuns, tanto por pressões que venham de fatores macro econômicos, alta de insumos básicos, comportamento de estoques, como de outras demandas que farão os dentes da engrenagem produtiva se ajustar. A produção de bio redutor renovável, em nível de fazenda ou em sistema cooperativo, também aparece como forma alternativa na agregação do valor ao novo negócio.

Está em nossas mãos, estrategistas e gestores das indústrias de base florestal a equalização dos modelos e monitoramento da cadeira produtiva que, certamente, transformarão o amanhã do setor florestal brasileiro, contribuindo para uma sociedade mais justa, mais produtiva e mais harmoniosa.

Fonte: Anais XV Seminário de Atualização Sobre Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal

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